O mapa · Mapa
Planisfério ou globo: qual dos dois responde cada pergunta
Por Redação Geografia do Dia · Mundo · Leitura de 11 minutos

Neste artigo
- Medir distância entre duas cidades: o barbante ganha da régua
- Entender uma rota de voo: o arco que sobe pro norte
- Comparar área: a esfera não tem país preferido
- Achar um fuso horário: aqui a folha ganha
- Pendurar na parede: por que a folha venceu
- Latitude e longitude não são a mesma coisa duas vezes
- Como ler um globo antes de comprar um
- Linha do tempo do mundo representado
- A rota que parece despencar no rodapé da folha
- Perguntas frequentes
Planisfério é o mundo inteiro numa folha só. O nome veio do latim de gabinete, planisphaerium, a esfera achatada no plano, e no começo ele nem descrevia a Terra: descrevia o céu, na chapa de metal do astrolábio.
O globo é o mesmo mundo em escala, sem corte e sem emenda. Os dois objetos mostram o planeta, e cada um responde bem a um tipo de pergunta. Trocar um pelo outro na hora errada é o que produz a impressão de que o mapa está mentindo.
Cinco perguntas comuns de quem para na frente de um mapa, e o objeto que responde cada uma.
Medir distância entre duas cidades: o barbante ganha da régua
Estique um barbante sobre a superfície do globo entre Madri e Pequim, bem colado na esfera. O caminho que aparece é o mais curto que existe entre os dois pontos, o arco de círculo máximo, e o barbante mede perto de 9 mil quilômetros.
Faça o mesmo com uma régua sobre a folha da parede e o resultado muda. A régua mede a distância no papel, e o papel foi esticado de forma diferente em cada latitude pra caber no retângulo.
Na esfera, cada centímetro vale sempre o mesmo tanto de mundo. É a única superfície onde a escala não muda de lugar pra lugar, e a resposta de distância mora nela.
Entender uma rota de voo: o arco que sobe pro norte
Num voo entre Tóquio e Nova York, o mapa da tela do assento mostra a rota subindo em direção ao Ártico, roçando as ilhas do Pacífico norte, e depois descendo pelo Canadá. Parece desvio.
Na esfera, é reta. O caminho mais curto entre dois pontos de latitude alta passa mais perto do polo do que a intuição da folha sugere, e o plano de voo toma esse arco como base antes do ajuste pelo vento.
Quem planeja a rota ainda mexe nela por causa da corrente de jato, que empurra o avião num sentido e atrapalha no outro. A ida e a volta do mesmo trecho acabam com durações bem diferentes, apesar de compartilharem o desenho no mapa.
O globo mostra o motivo em dois segundos de giro. A folha esconde o motivo atrás de uma curva que parece capricho de piloto, e o passageiro segue a viagem achando que o avião andou de lado à toa.
Comparar área: a esfera não tem país preferido
No globo, cada país ocupa exatamente a fração de superfície que ocupa no planeta. Na folha, a comparação depende da projeção escolhida, que estica umas regiões mais que outras, assunto que merece folha própria.
Um exemplo resolve a demonstração. A Índia tem quase três vezes a área somada de Noruega, Suécia e Finlândia, pelos números que os institutos de estatística dos próprios países publicam. Em muitos planisférios de parede, as três parecem alcançar a Índia sem esforço.
Diante de uma pergunta de tamanho, portanto, o globo responde e a folha opina. A folha só responde direito quando a projeção dela foi feita pra guardar área, e o nome costuma estar impresso no rodapé.
Achar um fuso horário: aqui a folha ganha
Fuso é coluna. As faixas de hora correm de norte a sul, e o planisfério mostra todas de uma vez, lado a lado, no formato em que elas foram desenhadas. No globo, você vê metade e gira pra ver o resto.
A folha também escancara as exceções, que são políticas e não astronômicas. A Rússia opera onze fusos ao longo do território. A China, larga o bastante pra ter cinco, mantém um horário oficial único pro país inteiro. O Nepal roda a quarenta e cinco minutos de diferença da hora cheia.
Nenhuma dessas escolhas vem do sol. Vem de decreto, e a base pública de fusos que os sistemas operacionais consultam registra cada mudança com a data em que o governo assinou.
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Pendurar na parede: por que a folha venceu
O globo é honesto e ocupa espaço. Ele não abre, não cabe no livro, não deixa marcar com caneta e mostra só um lado por vez. Quem quer o mundo inteiro num relance precisa da folha.
A folha aceita alfinete, anotação, rota traçada à mão e vidro por cima. É barata de imprimir, cabe no corredor da escola e coloca hemisfério norte e sul no mesmo campo de visão.
A conta fica assim: a folha serve pra ver o mundo junto e pra achar coisa. O globo serve pra medir e pra comparar. Quem tem os dois na mesma sala nunca precisa escolher entre precisão e panorama.
Latitude e longitude não são a mesma coisa duas vezes
As duas coordenadas parecem simétricas e não são, e a diferença explica metade das confusões de leitura de mapa.
A latitude tem origem natural. O equador é o círculo máximo perpendicular ao eixo de rotação do planeta, e nenhuma decisão humana precisou definir onde ele fica. Os paralelos são círculos que vão encolhendo em direção aos polos, e a distância entre dois graus de latitude é praticamente constante: cerca de 111 quilômetros de um grau para o outro, em qualquer lugar do mundo.
A longitude não tem origem natural. Todos os meridianos são círculos máximos iguais entre si, e escolher qual deles é o zero foi decisão política, tomada numa conferência internacional realizada em Washington em 1884, que adotou o meridiano que passa pelo observatório de Greenwich. Antes dela, cada país publicava cartas com o próprio meridiano de referência, o que tornava a comparação de coordenadas um problema.
A consequência prática é geométrica. Como os meridianos convergem nos polos, a distância correspondente a um grau de longitude encolhe conforme a latitude aumenta: no equador ela vale cerca de 111 quilômetros, na latitude 60 cai para perto da metade, e no polo vale zero.
Daí sai um erro comum em planilha: calcular distância entre dois pontos tratando graus de latitude e de longitude como equivalentes. O resultado sai correto perto do equador e cada vez mais errado conforme se sobe ou se desce no mapa.
Como ler um globo antes de comprar um
Globos parecem todos iguais na vitrine, e três detalhes separam o objeto útil do enfeite.
O primeiro é o tipo de informação. O globo político colore países e serve para localizar e para ver fronteira; o físico mostra relevo, vegetação e profundidade oceânica e serve para entender por que as coisas estão onde estão. Existe ainda o globo de relevo em alto-relevo, com a superfície texturizada, que exagera bastante a altura das montanhas para que elas sejam sentidas com o dedo.
O segundo é a escala, e ela costuma passar despercebida. Um globo de trinta centímetros de diâmetro representa o planeta numa proporção da ordem de um para quarenta milhões. Nessa escala, a camada onde acontece praticamente todo o clima teria menos de meio milímetro, e a montanha mais alta do mundo seria uma aspereza imperceptível ao toque. A Terra em escala é uma bola lisa.
O terceiro é a inclinação do eixo. Globos bem-feitos montam a esfera inclinada em torno de vinte e três graus e meio em relação à vertical do suporte, que é a inclinação real do eixo de rotação em relação ao plano da órbita. Ela não é enfeite de fabricante: é a causa das estações do ano, e um globo montado reto perde a possibilidade de demonstrar o fenômeno.
Vale conferir também se o globo gira sobre o próprio eixo com facilidade. Parece detalhe bobo, e é o que separa um objeto que será usado de um objeto que ficará parado na estante mostrando sempre o mesmo hemisfério.
Linha do tempo do mundo representado
- Século 2 a.CFontes antigas atribuem a Crates de Malos a construção de um globo terrestre, indicando que a esfericidade do planeta já era representada em objeto.
- 1492Martin Behaim conclui em Nuremberg o globo terrestre mais antigo que chegou até hoje, produzido antes das notícias da viagem que cruzaria o Atlântico naquele mesmo ano.
- 1569Mercator publica a carta destinada à navegação, e o planisfério retangular começa a dominar a representação do mundo.
- 1884A conferência realizada em Washington adota o meridiano de Greenwich como referência internacional de longitude e abre caminho para o sistema de fusos horários.
- 1968Uma fotografia da Terra vista da órbita lunar mostra o planeta inteiro num só quadro, e a imagem muda a forma como o público enxerga o mundo.
- 1972Uma segunda fotografia mostra o disco terrestre completamente iluminado, e vira a imagem de referência do planeta em mapas, capas e bandeiras de organizações.
A rota que parece despencar no rodapé da folha
O voo direto entre Santiago e Sydney atravessa o Pacífico sul mergulhando em direção ao gelo antártico. No planisfério, a linha desaba até quase o rodapé e sobe de novo, com cara de erro de traçado.
No globo, ela é o arco mais curto entre as duas cidades, e não passa nem perto de outro pedaço de terra. É o trecho de céu mais vazio que uma rota comercial regular cruza.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre planisfério e globo?
O planisfério é o mundo inteiro numa folha plana, e o globo é o mesmo mundo em escala, sem corte e sem emenda. A folha serve para ver tudo de uma vez e para achar coisas; o globo serve para medir distância e comparar área, porque nele a escala é a mesma em qualquer ponto.
Por que as rotas de avião parecem tortas no mapa?
Porque o caminho mais curto entre dois pontos da esfera é um arco de círculo máximo, que passa mais perto do polo do que a intuição da folha sugere. No globo, a rota é reta. A curva que parece capricho de piloto é a linha mais econômica, ajustada depois pela corrente de jato.
Como medir distância corretamente entre duas cidades?
Esticando um barbante sobre a superfície do globo, colado na esfera. A régua sobre o planisfério mede a distância no papel, que foi esticado de forma diferente em cada latitude. Só na esfera cada centímetro vale sempre o mesmo tanto de mundo.
Por que um grau de longitude não vale sempre a mesma distância?
Porque os meridianos convergem nos polos. Um grau de longitude equivale a cerca de 111 quilômetros no equador, cai para perto da metade na latitude 60 e chega a zero no polo. Já a latitude é regular: um grau vale perto de 111 quilômetros em qualquer lugar do mundo.
Quem decidiu onde fica a longitude zero?
Uma conferência internacional realizada em Washington em 1884, que adotou o meridiano do observatório de Greenwich como referência. Ao contrário do equador, que tem origem natural na rotação do planeta, o meridiano de origem é escolha política, e antes dela cada país publicava cartas com a própria referência.
Por que a China tem um fuso só e a Rússia tem onze?
Porque fuso horário é decreto, e não astronomia. A Rússia opera onze fusos ao longo do território; a China, larga o bastante para cinco, mantém horário oficial único; o Nepal usa uma diferença de quarenta e cinco minutos em relação à hora cheia.
Qual globo comprar?
Um globo político para localizar e ver fronteiras, ou um físico para entender relevo e clima. Confira duas coisas antes de fechar: se a esfera está montada inclinada em torno de vinte e três graus e meio, que é a inclinação real do eixo e a causa das estações, e se ela gira com facilidade sobre o próprio suporte.
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