O mapa · Mapa
Planisfério ou globo: qual dos dois responde cada pergunta
Mundo · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
Planisfério é o mundo inteiro numa folha só. O nome veio do latim de gabinete, planisphaerium, a esfera achatada no plano, e no começo ele nem descrevia a Terra: descrevia o céu, na chapa de metal do astrolábio.
O globo é o mesmo mundo em escala, sem corte e sem emenda. Os dois objetos mostram o planeta, e cada um responde bem a um tipo de pergunta. Trocar um pelo outro na hora errada é o que produz a impressão de que o mapa está mentindo.
Cinco perguntas comuns de quem para na frente de um mapa, e o objeto que responde cada uma.
Medir distância entre duas cidades: o barbante ganha da régua
Estique um barbante sobre a superfície do globo entre Madri e Pequim, bem colado na esfera. O caminho que aparece é o mais curto que existe entre os dois pontos, o arco de círculo máximo, e o barbante mede perto de 9 mil quilômetros.
Faça o mesmo com uma régua sobre a folha da parede e o resultado muda. A régua mede a distância no papel, e o papel foi esticado de forma diferente em cada latitude pra caber no retângulo.
Na esfera, cada centímetro vale sempre o mesmo tanto de mundo. É a única superfície onde a escala não muda de lugar pra lugar, e a resposta de distância mora nela.
Entender uma rota de voo: o arco que sobe pro norte
Num voo entre Tóquio e Nova York, o mapa da tela do assento mostra a rota subindo em direção ao Ártico, roçando as ilhas do Pacífico norte, e depois descendo pelo Canadá. Parece desvio.
Na esfera, é reta. O caminho mais curto entre dois pontos de latitude alta passa mais perto do polo do que a intuição da folha sugere, e o plano de voo toma esse arco como base antes do ajuste pelo vento.
Quem planeja a rota ainda mexe nela por causa da corrente de jato, que empurra o avião num sentido e atrapalha no outro. A ida e a volta do mesmo trecho acabam com durações bem diferentes, apesar de compartilharem o desenho no mapa.
O globo mostra o motivo em dois segundos de giro. A folha esconde o motivo atrás de uma curva que parece capricho de piloto, e o passageiro segue a viagem achando que o avião andou de lado à toa.
Comparar área: a esfera não tem país preferido
No globo, cada país ocupa exatamente a fração de superfície que ocupa no planeta. Na folha, a comparação depende da projeção escolhida, que estica umas regiões mais que outras, assunto que merece folha própria.
Um exemplo resolve a demonstração. A Índia tem quase três vezes a área somada de Noruega, Suécia e Finlândia, pelos números que os institutos de estatística dos próprios países publicam. Em muitos planisférios de parede, as três parecem alcançar a Índia sem esforço.
Diante de uma pergunta de tamanho, portanto, o globo responde e a folha opina. A folha só responde direito quando a projeção dela foi feita pra guardar área, e o nome costuma estar impresso no rodapé.
Achar um fuso horário: aqui a folha ganha
Fuso é coluna. As faixas de hora correm de norte a sul, e o planisfério mostra todas de uma vez, lado a lado, no formato em que elas foram desenhadas. No globo, você vê metade e gira pra ver o resto.
A folha também escancara as exceções, que são políticas e não astronômicas. A Rússia opera onze fusos ao longo do território. A China, larga o bastante pra ter cinco, mantém um horário oficial único pro país inteiro. O Nepal roda a quarenta e cinco minutos de diferença da hora cheia.
Nenhuma dessas escolhas vem do sol. Vem de decreto, e a base pública de fusos que os sistemas operacionais consultam registra cada mudança com a data em que o governo assinou.
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Pendurar na parede: por que a folha venceu
O globo é honesto e ocupa espaço. Ele não abre, não cabe no livro, não deixa marcar com caneta e mostra só um lado por vez. Quem quer o mundo inteiro num relance precisa da folha.
A folha aceita alfinete, anotação, rota traçada à mão e vidro por cima. É barata de imprimir, cabe no corredor da escola e coloca hemisfério norte e sul no mesmo campo de visão.
A conta fica assim: a folha serve pra ver o mundo junto e pra achar coisa. O globo serve pra medir e pra comparar. Quem tem os dois na mesma sala nunca precisa escolher entre precisão e panorama.
A rota que parece despencar no rodapé da folha
O voo direto entre Santiago e Sydney atravessa o Pacífico sul mergulhando em direção ao gelo antártico. No planisfério, a linha desaba até quase o rodapé e sobe de novo, com cara de erro de traçado.
No globo, ela é o arco mais curto entre as duas cidades, e não passa nem perto de outro pedaço de terra. É o trecho de céu mais vazio que uma rota comercial regular cruza.
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