O mapa · Bandeira

Emirados Árabes Unidos: quatro cores e sete bandeiras por baixo

Mundo · Leitura de 5 minutos

Sete clipes de metal fosco enfileirados sobre uma folha de papel liso, um deles verde escuro, em mesa de madeira clara sob luz de dia difusa entrando pela esquerda

A bandeira dos Emirados Árabes Unidos tem quatro cores e nenhum símbolo. Verde, branco e preto em faixas deitadas, vermelho numa barra em pé junto ao mastro. É o jogo pan-árabe completo, sem estrela, sem crescente, sem brasão no meio.

O portal oficial do governo dos Emirados conta que o desenho venceu um concurso aberto e subiu no mastro no fim de 1971, quando a federação se formou. Cada cor tem leitura registrada ali, e as mais interessantes apontam para o mapa antes de apontarem para uma virtude.

Por baixo desse pano existem outras sete bandeiras, vivas e em uso diário.

Verde: a cor que aponta para o pouco que é verde no mapa

O portal do governo lê o verde como esperança, alegria e fertilidade da terra. Num país onde a areia do Rub al-Khali encosta na fronteira do sul, fertilidade não é figura de linguagem: é a lista curta e nomeada dos lugares onde a água chega.

Os oásis de Al Ain e a faixa de Liwa são o verde real do território. A lista do patrimônio mundial da Unesco inclui os sítios de Al Ain justamente pelos canais que conduzem água de montanha por gravidade até os palmeirais, um sistema que resolve irrigação sem bomba e sem energia.

A tarja verde da bandeira, vista com o mapa do lado, cobre uma parcela pequena do chão do país. Ela marca onde dá para plantar, e o resto do território responde por areia, sabkha salgada e serra.

Branco: a cor que entrou na costa junto com um acordo

O branco aparece como paz e honestidade no texto oficial. A história do pano na região dá a segunda camada: no século 19, os portos daquela costa passaram a usar faixa branca sobre o vermelho antigo para sinalizar adesão aos acordos de trégua marítima que organizaram a navegação do golfo.

A região ficou conhecida pelo nome antigo de Trucial States, os Estados da Trégua, e esse nome só saiu do mapa quando a federação nasceu. A faixa branca das bandeiras locais é bem anterior à união dos sete, e continua lá até hoje.

Preto: a faixa de cima, e o que o texto oficial não diz

O portal oficial lê o preto como força e derrota do inimigo. Ele não liga a cor ao petróleo, embora a leitura circule bastante, e a correção importa: as quatro cores pan-árabes já corriam pela região antes de qualquer campo entrar em produção.

O petróleo, ainda assim, explica o formato da federação. A produção é bem desigual entre os sete, com Abu Dhabi concentrando a maior parte das reservas pelos dados que o próprio governo publica, e a diferença aparece na divisão de competências que o texto constitucional da união fixou.

Vermelho: a cor que já estava lá antes das outras três

O vermelho é a cor mais velha do conjunto naquela costa. Ele era o campo das bandeiras de porto antes de branco, verde e preto entrarem no pano, e o texto oficial o lê hoje como coragem e sacrifício.

Na bandeira dos Emirados Árabes Unidos o vermelho ocupa a barra vertical junto ao mastro, e não uma faixa deitada como as outras três cores. A posição separa o desenho do resto do grupo pan-árabe, que costuma recortar a tralha em triângulo ou em trapézio.

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Sete bandeiras por baixo, e um mapa de enclaves

Cada um dos sete emirados mantém a bandeira própria, e quase todas repetem vermelho e branco em proporções diferentes, herança direta das bandeiras de porto. Elas sobem em prédio de governo local e em data do emirado, ao lado da bandeira federal, sem conflito de protocolo.

O mapa por baixo é um quebra-cabeça. As fronteiras internas incluem enclaves, que são pedaços de um emirado cercados por outro, e Fujairah é o único dos sete que fica inteiro do lado do golfo de Omã, separado dos demais pela cordilheira Hajar.

A montanha explica a exceção. A cordilheira corre no sentido norte-sul e fecha a passagem por terra, então a costa oriental sempre olhou para o mar de fora, e não para o golfo de dentro. Por que a linha passa ali é pergunta de serra, não de mesa de negociação.

Por que são sete, e não uma

Seis emirados assinaram a união no fim de 1971. O sétimo entrou no começo do ano seguinte, e o texto constitucional da federação deixou com cada emirado o governo local, a bandeira e boa parte da administração do próprio território.

O arranjo é raro e tem razão geográfica atrás. São portos que viviam de pesca, pérola e comércio de cabotagem, cada um com um trecho de costa, uma fonte de água e uma rede de tribos por trás. Juntar tudo num Estado único, sem preservar as sete casas, não teria fechado acordo nenhum.

O último a entrar foi Ras al-Khaimah, no começo de 1972, alguns meses depois dos outros seis, e é o emirado mais ao norte da federação, o mais perto do estreito de Ormuz.

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