O mapa · Bandeira

Emirados Árabes Unidos: quatro cores e sete bandeiras por baixo

Por Redação Geografia do Dia · Mundo · Leitura de 11 minutos

Sete clipes de metal fosco enfileirados sobre uma folha de papel liso, um deles verde escuro, em mesa de madeira clara sob luz de dia difusa entrando pela esquerda

A bandeira dos Emirados Árabes Unidos tem quatro cores e nenhum símbolo. Verde, branco e preto em faixas deitadas, vermelho numa barra em pé junto ao mastro. É o jogo pan-árabe completo, sem estrela, sem crescente, sem brasão no meio.

O portal oficial do governo dos Emirados conta que o desenho venceu um concurso aberto e subiu no mastro no fim de 1971, quando a federação se formou. Cada cor tem leitura registrada ali, e as mais interessantes apontam para o mapa antes de apontarem para uma virtude.

Por baixo desse pano existem outras sete bandeiras, vivas e em uso diário.

Verde: a cor que aponta para o pouco que é verde no mapa

O portal do governo lê o verde como esperança, alegria e fertilidade da terra. Num país onde a areia do Rub al-Khali encosta na fronteira do sul, fertilidade não é figura de linguagem: é a lista curta e nomeada dos lugares onde a água chega.

Os oásis de Al Ain e a faixa de Liwa são o verde real do território. A lista do patrimônio mundial da Unesco inclui os sítios de Al Ain justamente pelos canais que conduzem água de montanha por gravidade até os palmeirais, um sistema que resolve irrigação sem bomba e sem energia.

A tarja verde da bandeira, vista com o mapa do lado, cobre uma parcela pequena do chão do país. Ela marca onde dá para plantar, e o resto do território responde por areia, sabkha salgada e serra.

Branco: a cor que entrou na costa junto com um acordo

O branco aparece como paz e honestidade no texto oficial. A história do pano na região dá a segunda camada: no século 19, os portos daquela costa passaram a usar faixa branca sobre o vermelho antigo para sinalizar adesão aos acordos de trégua marítima que organizaram a navegação do golfo.

A região ficou conhecida pelo nome antigo de Trucial States, os Estados da Trégua, e esse nome só saiu do mapa quando a federação nasceu. A faixa branca das bandeiras locais é bem anterior à união dos sete, e continua lá até hoje.

Preto: a faixa de cima, e o que o texto oficial não diz

O portal oficial lê o preto como força e derrota do inimigo. Ele não liga a cor ao petróleo, embora a leitura circule bastante, e a correção importa: as quatro cores pan-árabes já corriam pela região antes de qualquer campo entrar em produção.

O petróleo, ainda assim, explica o formato da federação. A produção é bem desigual entre os sete, com Abu Dhabi concentrando a maior parte das reservas pelos dados que o próprio governo publica, e a diferença aparece na divisão de competências que o texto constitucional da união fixou.

Vermelho: a cor que já estava lá antes das outras três

O vermelho é a cor mais velha do conjunto naquela costa. Ele era o campo das bandeiras de porto antes de branco, verde e preto entrarem no pano, e o texto oficial o lê hoje como coragem e sacrifício.

Na bandeira dos Emirados Árabes Unidos o vermelho ocupa a barra vertical junto ao mastro, e não uma faixa deitada como as outras três cores. A posição separa o desenho do resto do grupo pan-árabe, que costuma recortar a tralha em triângulo ou em trapézio.

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Sete bandeiras por baixo, e um mapa de enclaves

Cada um dos sete emirados mantém a bandeira própria, e quase todas repetem vermelho e branco em proporções diferentes, herança direta das bandeiras de porto. Elas sobem em prédio de governo local e em data do emirado, ao lado da bandeira federal, sem conflito de protocolo.

O mapa por baixo é um quebra-cabeça. As fronteiras internas incluem enclaves, que são pedaços de um emirado cercados por outro, e Fujairah é o único dos sete que fica inteiro do lado do golfo de Omã, separado dos demais pela cordilheira Hajar.

A montanha explica a exceção. A cordilheira corre no sentido norte-sul e fecha a passagem por terra, então a costa oriental sempre olhou para o mar de fora, e não para o golfo de dentro. Por que a linha passa ali é pergunta de serra, não de mesa de negociação.

De onde vieram as quatro cores pan-árabes

A combinação de verde, branco, preto e vermelho não nasceu no século 20, e a origem mais citada é literária.

Um poeta do século 14 escreveu versos em que cada cor ganha um papel: brancas as ações, negras as batalhas, verdes os campos e vermelhas as espadas. Os versos são a fonte tradicionalmente apontada para a leitura das quatro cores como conjunto, e circulam até hoje em material oficial de vários governos.

Há também uma leitura histórica associada às dinastias: o preto ligado a um califado, o branco a outro, o verde a uma linhagem e o vermelho às tribos e aos xerifes de Meca. As duas leituras convivem, e nenhuma delas é o documento fundador do desenho moderno.

O desenho moderno aparece no começo do século 20, na bandeira adotada pela revolta árabe contra o domínio otomano, com três faixas horizontais e um triângulo na tralha. Foi a partir dela que as quatro cores se organizaram no formato que hoje se reconhece em várias bandeiras da região.

O que os Emirados fizeram foi trocar o triângulo por uma barra vertical, mantendo a paleta completa. É a variação mais econômica possível dentro da família: sem símbolo, sem letra, sem brasão, apenas o rearranjo geométrico das mesmas quatro cores.

As primas da mesma família

Reconhecer a paleta pan-árabe é fácil; distinguir os panos que a usam exige olhar o recorte da tralha, que é justamente onde cada país assinou a diferença.

A Jordânia recorta a tralha em triângulo vermelho com uma estrela branca de sete pontas dentro, e as três faixas seguem em preto, branco e verde.

O Kuwait usa a mesma sequência de faixas e recorta a tralha em trapézio preto, forma que não aparece em nenhuma outra bandeira nacional.

A Palestina emprega triângulo vermelho sem estrela, com faixas em preto, branco e verde, e o Sudão inverte a lógica: triângulo verde na tralha e faixas em vermelho, branco e preto.

Outros países da região usam parte da paleta com símbolos próprios no centro, como estrelas, águias ou inscrições, e nesses casos o elemento central é o que identifica o país, não a combinação de cores.

O teste prático, portanto, tem duas etapas. Primeiro, confirmar se as quatro cores estão presentes, o que coloca a bandeira na família. Depois, olhar a tralha: triângulo, trapézio ou barra vertical, e a cor de cada um. É onde a diferença mora.

Linha do tempo da federação

  1. Século 19Os portos da costa passam a usar faixa branca sobre o campo vermelho antigo para sinalizar adesão aos acordos de trégua marítima que organizam a navegação do golfo.
  2. Fim do século 19Acordos com a potência marítima da época consolidam o arranjo político dos emirados costeiros, que ficariam conhecidos pelo nome ligado à trégua.
  3. 1968É anunciada a retirada da presença britânica da região do golfo, e os emirados passam a negociar entre si a formação de um Estado comum.
  4. 1971Seis emirados assinam a união, e a bandeira vencedora de um concurso aberto sobe no mastro pela primeira vez no fim do ano.
  5. 1972O sétimo emirado, o mais ao norte e o mais próximo do estreito de Ormuz, ingressa na federação.
  6. 1981A criação de um conselho de cooperação regional entre os países do golfo institucionaliza a articulação econômica e política da região.

Por que são sete, e não uma

Seis emirados assinaram a união no fim de 1971. O sétimo entrou no começo do ano seguinte, e o texto constitucional da federação deixou com cada emirado o governo local, a bandeira e boa parte da administração do próprio território.

O arranjo é raro e tem razão geográfica atrás. São portos que viviam de pesca, pérola e comércio de cabotagem, cada um com um trecho de costa, uma fonte de água e uma rede de tribos por trás. Juntar tudo num Estado único, sem preservar as sete casas, não teria fechado acordo nenhum.

O último a entrar foi Ras al-Khaimah, no começo de 1972, alguns meses depois dos outros seis, e é o emirado mais ao norte da federação, o mais perto do estreito de Ormuz.

Perguntas frequentes

O que significam as cores da bandeira dos Emirados Árabes Unidos?

O portal oficial do governo lê o verde como esperança, alegria e fertilidade da terra, o branco como paz e honestidade, o preto como força e derrota do inimigo, e o vermelho como coragem e sacrifício. O desenho venceu um concurso aberto e subiu no mastro no fim de 1971.

O preto da bandeira representa o petróleo?

Não segundo o texto oficial, que o associa a força. A leitura ligada ao petróleo circula bastante e não se sustenta cronologicamente: as quatro cores pan-árabes já corriam pela região antes de qualquer campo entrar em produção.

O que são as cores pan-árabes?

Verde, branco, preto e vermelho, combinação cuja leitura tradicional é atribuída a versos de um poeta do século 14 em que cada cor recebe um papel. O desenho moderno com faixas e triângulo aparece no começo do século 20, e a partir dele a paleta se organiza em várias bandeiras da região.

Como diferenciar as bandeiras que usam as mesmas quatro cores?

Pelo recorte da tralha. A Jordânia usa triângulo vermelho com estrela de sete pontas; o Kuwait, trapézio preto, forma única entre bandeiras nacionais; a Palestina, triângulo vermelho sem estrela; o Sudão, triângulo verde; e os Emirados trocam o triângulo por uma barra vertical vermelha.

Por que a bandeira dos Emirados não tem símbolo?

Porque ela é a variação mais econômica possível dentro da família pan-árabe: apenas o rearranjo geométrico das quatro cores, com a barra vertical vermelha na tralha em vez do triângulo usual. Sem estrela, sem crescente e sem brasão, ela atende quase à risca os princípios que a vexilologia recomenda para desenho de bandeira.

Quantas bandeiras existem nos Emirados Árabes Unidos?

Oito no total: a federal e as sete dos emirados, que continuam em uso diário. Quase todas repetem vermelho e branco em proporções diferentes, herança das antigas bandeiras de porto, e sobem em prédios de governo local ao lado da bandeira federal.

Onde fica a parte verde do território?

Nos oásis de Al Ain e na faixa de Liwa, que respondem pelo verde real do país. A lista do patrimônio mundial da Unesco inclui os sítios de Al Ain justamente pelos canais que conduzem água de montanha por gravidade até os palmeirais, um sistema que resolve irrigação sem bomba e sem energia. O restante do território responde por areia, sabkha salgada e serra.

Por que são sete emirados?

Porque eram portos independentes que viviam de pesca, pérola e comércio de cabotagem, cada um com trecho de costa, fonte de água e rede de tribos próprias. Seis assinaram a união no fim de 1971 e o sétimo entrou no começo de 1972, com o texto constitucional preservando o governo local de cada um.

Por que Fujairah fica separada dos outros emirados?

Por causa da cordilheira Hajar, que corre no sentido norte-sul e fecha a passagem por terra. É o único dos sete inteiramente do lado do golfo de Omã, e a costa oriental sempre olhou para o mar de fora em vez do golfo de dentro.

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