O mapa · Explicador

Quantos países existem no mundo, e por que a conta muda

Mundo · Leitura de 5 minutos

Pilha alta de fichas de papel liso com uma tachinha verde escura fincada na ficha do topo, sobre mesa de madeira clara em luz de dia difusa entrando pela esquerda

A resposta mais usada é 193, e ela vem da ONU: é o número de Estados-membros que a organização publica na própria lista. A resposta está certa, e ainda assim ela não fecha a conta que a maioria das pessoas quer fazer.

Porque país não é uma categoria única. Tem Estado com cadeira e voto. Tem Estado com assento e sem voto. Tem território com governo próprio e sem cadeira nenhuma. E tem lugar que joga eliminatória de Copa do Mundo sem entrar em nenhuma das listas anteriores.

Cada critério devolve um número diferente. Vale saber qual deles você está usando antes de discutir o total com alguém.

193 é a resposta da ONU, e a entrada tem caminho fixo

A Carta da ONU descreve o caminho de admissão de um Estado novo: o Conselho de Segurança recomenda, e depois a Assembleia Geral aprova por maioria de dois terços. Sem os dois passos, não existe cadeira, por mais reconhecido que o país seja fora da sala.

O número 193 é, portanto, uma medida política com regra escrita, e não uma contagem de pedaços de terra emersa. Ele só mexe quando um Estado entra, e cada entrada fica registrada na lista que a organização mantém aberta ao público.

Repare no que a régua ignora. Ela não pergunta o tamanho do território, não pergunta quanta gente mora ali e não pergunta se a fronteira está toda demarcada no chão. Ela pergunta uma coisa só: quem votou a favor da entrada, e quando.

Dois observadores, que não são membros e não são pouca coisa

A ONU registra dois Estados observadores permanentes sem assento de membro: a Santa Sé e a Palestina. Os dois participam de sessões, assinam tratados, mantêm missão na sede e aparecem na lista oficial numa linha à parte, com o estatuto escrito ao lado.

A Santa Sé carrega o dado geográfico mais estranho da lista inteira: menos de meio quilômetro quadrado de território, área publicada pelo próprio Estado da Cidade do Vaticano, cercado por uma cidade só e sem fronteira com mais ninguém. Território pequeno não impede personalidade jurídica.

Reconhecimento parcial: a resposta depende de quem responde

Alguns lugares têm governo em funcionamento, população estável e limites administrados, e mesmo assim a lista de quem os reconhece varia. Kosovo é o caso mais citado: pouco mais de uma centena de Estados reconhecem, e a contagem exata muda porque cada reconhecimento é ato individual de um governo, feito e desfeito por decisão própria.

O mecanismo é simples de descrever e chato de contar, porque reconhecimento é bilateral. Quando duas fontes divergem no total de países do mundo, quase sempre é aqui que a divergência começa, e cada uma delas está usando uma régua declarada.

Territórios dependentes: governo próprio, cadeira nenhuma

A ONU mantém uma lista de territórios não autônomos, hoje com 17 nomes, revisada periodicamente pela própria organização. A Nova Caledônia está nela: um arquipélago no Pacífico que fica a mais de dezesseis mil quilômetros do país que o administra, com assembleia local e processo de consulta registrado em ata.

A Groenlândia mostra o outro arranjo possível. Ela tem governo e parlamento próprios dentro do Reino da Dinamarca, ficou fora da lista da ONU, e é dezenas de vezes maior em área que o reino a que pertence, pelos dados de superfície que o próprio governo groenlandês publica.

A diferença entre os dois casos é de processo, não de tamanho. Um está numa lista com procedimento de acompanhamento aberto; o outro resolveu a autonomia em casa, por acordo interno, e saiu do radar da organização sem virar Estado independente.

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Federações esportivas contam mais, e por um motivo prático

A FIFA publica 211 associações filiadas. O Comitê Olímpico Internacional publica 206 comitês nacionais. Os dois totais passam de 193 porque federação esportiva não exige soberania: exige uma entidade organizada, capaz de inscrever atletas, cumprir calendário e responder por disciplina.

As Ilhas Faroé mostram o critério funcionando no mapa. O arquipélago de dezoito ilhas no Atlântico Norte disputa eliminatórias europeias com seleção própria e não é membro da ONU, e a contagem de ilhas sai da página do próprio governo local.

Qual número usar, e quando

Para tratado, fronteira e documento de viagem, a régua é 193, porque quem assina é Estado-membro. Para mapa político impresso, o total cresce, porque território dependente ganha cor própria na folha e nome na legenda.

Para esporte, a régua é da federação, e ela é sempre a maior das três. Nenhuma está errada: elas respondem perguntas diferentes, e a discussão de mesa de bar só trava porque cada lado usa uma régua sem dizer qual.

O membro mais recente da ONU é o Sudão do Sul, admitido em 2011, e dentro dele fica o Sudd, o pântano que o Nilo Branco abre no meio do país e que muda de tamanho conforme a cheia do ano.

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