O mapa · Bandeira
A África não tem uma bandeira só, e o que existe no lugar
Mundo · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
- O continente não tem bandeira, e a razão é de contagem
- A União Africana tem uma, e ela trocou de desenho em 2010
- As cores saíram da Etiópia, e a razão está no planalto
- O emblema traz o mapa, e o mapa não tem fronteira dentro
- Nenhum continente tem bandeira, e a Europa mostra por quê
- O que responder quando pedirem a bandeira da África
A África não tem bandeira. O continente é um recorte de terra, e bandeira é ato de governo: ela nasce de um texto de constituição ou de uma lei, aprovada por alguém com poder para aprovar.
O que existe é a bandeira de uma organização que reúne os países africanos, e o pano dela não representa o chão. A troca é comum, e o desenho que circula por aí como bandeira do continente costuma ser justamente o da organização.
O caminho até a resposta passa por uma contagem, uma troca de desenho, um país que atravessou a partilha europeia de pé e um mapa sem nenhuma linha dentro.
O continente não tem bandeira, e a razão é de contagem
A União Africana lista 55 Estados-membros no próprio site. A ONU conta 54 países africanos entre os membros dela, e a diferença entre as duas listas é de critério de admissão, não de erro de conta: cada organização registra o próprio caminho de entrada e publica a lista fechada.
Cada um desses países aprova a bandeira dele em casa, por lei ou por texto constitucional. Um pano único para o continente inteiro precisaria de um dono, e continente não tem dono: tem chão, tem placa tectônica, tem clima, e chão nenhum assina documento.
A União Africana tem uma, e ela trocou de desenho em 2010
A organização que veio antes usava outro pano, verde e dourado. A União Africana adotou o desenho atual em 2010, depois de um concurso aberto de propostas, e a descrição publicada pela própria União define o campo verde-escuro, o mapa do continente em dourado no meio e o anel de estrelas douradas em volta.
A sede fica em Adis Abeba, e a escolha da cidade não foi sorteio. Ela amarra a organização ao país que atravessou a partilha europeia com governo próprio, e é de lá que sai também a explicação das cores da paleta que meio continente adotou.
As cores saíram da Etiópia, e a razão está no planalto
Verde, amarelo e vermelho são as cores da Etiópia, descritas no texto constitucional do país junto com o disco azul e a estrela no meio. Quando as independências chegaram, no meio do século passado, país atrás de país adotou a mesma paleta, e a leitura de cada cor entrou no texto oficial de cada um deles.
A razão de a Etiópia servir de referência está no relevo. Boa parte do planalto etíope passa dos dois mil metros de altitude, pelo modelo de elevação da missão de radar do ônibus espacial, distribuído pelo serviço geológico dos Estados Unidos, e o Vale do Rift corta o país em diagonal.
Altitude custa caro para quem chega de fora. A campanha europeia do fim do século 19 quebrou no alto, e os tratados assinados depois registram o resultado. Por que a linha passa ali, no caso etíope, é resposta de montanha. A Libéria é o outro país que atravessou o período com governo próprio, por um caminho completamente diferente.
O emblema traz o mapa, e o mapa não tem fronteira dentro
O mapa dourado no meio do pano aparece sem nenhuma linha interna. A descrição oficial da União liga a silhueta cheia à ideia de unidade do continente, e a ausência das divisas é deliberada, não simplificação de desenhista.
O anel de estrelas tem contagem embutida. A descrição liga cada estrela a um Estado-membro, o que amarra o pano a um número que se mexe toda vez que alguém entra ou sai da organização. Bandeira de país envelhece devagar; bandeira de organização acompanha a lista de sócios.
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Nenhum continente tem bandeira, e a Europa mostra por quê
A bandeira azul com o círculo de estrelas não é da Europa. Ela foi adotada pelo Conselho da Europa na década de 1950 e depois assumida pelas instituições da União Europeia, e o próprio Conselho explica no site dele que as doze estrelas não contam países nem acompanham a entrada de novos membros.
A Antártida fecha o argumento pelo outro lado. O Tratado da Antártida organiza a gestão do continente entre os países signatários, não cria governo nem bandeira, e as versões que circulam por lá são propostas sem estatuto oficial nenhum.
O que responder quando pedirem a bandeira da África
A resposta curta tem duas partes. A primeira: escolha um país e diga o nome, porque a bandeira pertence a ele. A segunda: se a pergunta for pelo pano verde-escuro com o mapa dourado, ele é de uma organização, e o mandato dela termina onde termina a lista de membros.
A diferença sai da prova de escola e entra no mundo prático. Bandeira de país aparece em documento de fronteira, em registro de navio e em acordo assinado. Bandeira de organização aparece em cúpula, em sede e em missão conjunta.
Um país africano trocou de nome inteiro: o Burkina Faso se chamava Alto Volta até 1984, herança dos três rios Volta que nascem no território e descem para o sul, e o nome novo quer dizer terra da gente íntegra.
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